quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A tinta ao tocar papel adquire um novo sabor, um novo cheiro, e esta que está por agora corrompida pelos sentimentos do escritor, deixa manchas de mentiras por onde passa, e cada traço errante que pelo branco desliza imortaliza os pensamentos de quem as traça, torna realidade seus sonhos e o cega de sua ignorância. O sangue negro que flui pela ponta da gélida caneta, traz consigo a pulsação de um coração que, não importando o restante do mundo -que naquele momento para de girar-, acabará por modificar alguém, seja eu ou você, seja ontem, hoje, amanhã ou depois.
A cada ponto brutal ao final de uma sentença, uma ideia se imortaliza, a cada parágrafo uma filosofia é lançada, e ao final do texto tudo o que sobra é a hipocrisia de uma alma solitária que se perde na fantasia que se torna real em sua insanidade. O mundo real se distorce, se revira em seu eixo e é tomado pela escuridão, o irreal o substitui, e o mundo escondido nas trevas corrompe a mente como um veneno, um veneno não menos toxico do que o que tomou seu lugar.

Há de haver um antídoto para tal ignorância, assim como há sempre um soro para a picada de uma serpente. Mas para encontrá-lo seria preciso abrir mão de nosso manto de hipocrisia, que nos aquece da própria solidão e nos protege do mundo que guardamos nos confins de nossa consciência. Todos queremos nos salvar da picada da serpente, mas há algum de nós que queira o antídoto de nós mesmos? A tinta continuara a escorrer sem direção, até que alguém pense em mostrá-la o caminho.

13/06/2010

Tagged:

Um comentário: